
Venerável Madre Maria
Imaculada da Santíssima Trindade
*8/julho/1909
- + 20/janeiro/1988
Maria Giselda Vilela nasceu em 8 de julho de 1909, em
Maria da Fé, MG, terceira dos 7 filhos do casal Manoel Vilela e Maria Campos.
Seu pai Manoel viera para o Brasil aos 10 anos, junto com o avô, que logo
faleceu vítima da febre amarela, deixando o filho desamparado; ele nunca mais
veria a família, que havia permanecido em Portugal.
Maria Giselda era muito viva e
inteligente, cercada de atenção e carinho dos pais, sendo formada num ambiente
de piedade, graças a D. Maria que encaminhava esposo e filhos para Deus. Com
apenas 4 anos, após submeter-se a sério interrogatório por parte do
Missionário, fez Maria Giselda a sua Primeira Comunhão, por ocasião das Missões
realizadas em Maria da Fé; juntamente com seu amiguinho de infância, Delfim
Ribeiro Guedes, contando este 5 anos. Unidos pela Eucaristia, Deus os uniria
ainda mais, num futuro remoto, pelo ideal carmelitano.
Sempre voltada para as coisas de
Deus, após a Primeira Comunhão, Maria Giselda quis entrar para o Apostolado da
Oração, como zelada! Cercada de boas
amizades, teve por companheirinhos de infância, além de Delfim, o futuro
beneditino Dom Marcos Barbosa.
O selo do sofrimento, porém,
marcaria sua infância... Entre 12 e 13 anos de idade, teria início o seu
calvário com o aparecimento de um grande tumor na virilha, que foi
extirpado. Seguiu Maria Giselda para o Internato, no Colégio Sagrado
Coração de Jesus, das Irmãs da Providência de GAP, em Itajubá (MG) onde, em
poucos meses, reapareceu o tumor. Alarmado, o pai leva a filha para o Rio de
Janeiro, procurando os melhores especialistas. Dr. Pedro Ernesto diz ao pai que
a menina não se salvaria: era câncer em estado adiantado. Tendo pela filha
carinho especial, seu Manoel responde: “Se a medicina da terra nada pode
fazer, eu confio na medicina do céu”. Argumenta-lhe arrogante o médico:
“O que a ciência não faz, Deus também não faz!”. Seus pais recorrem à
intercessão de Santo Expedito, e a filha se salva. Após operação e doloroso
tratamento de radioterapia, que lhe traria sofrimentos na perna para toda a
vida, ela retorna ao Colégio. Apresenta um certo inchaço na perna que aumentaria
com os anos.
Durante a infância e juventude,
Maria Giselda idealizava ser muito rica, possuir bens e uma vida luxuosa junto
a seus pais, de quem nunca pensava em separar-se. Demonstrava um relativo apego
ao mundo, embora sua vida de piedade não ficasse descuidada. Tanto assim que
ela afirmaria nunca ter cometido um pecado mortal, durante toda a sua
existência. No Colégio, foi-se interiorizando mais e mais, numa busca constante
de Deus: a leitura de “História de uma Alma”, de Santa Teresinha,
fizeram-na descobrir o Carmelo. Com o auxílio e orientação do confessor, foi
aceita no Carmelo de Santa Teresinha, em Campinas, onde entrou em 29 de
novembro de 1930. Seus pais sofreram com a separação, mas rezavam pela sua
perseverança. D. Maria receava por seu jeito autoritário.
Em 12 de abril de 1931, recebe o
hábito de Nossa Senhora do Carmo, sob o nome de Irmã Maria Imaculada
da Santíssima Trindade.
Os primeiros votos foram emitidos
em l2 de abril de 1931 e, em 13 de abril de 1935, após os bem vividos três anos
de Noviciado, faz sua Profissão Solene, dedicando-se ainda mais à Comunidade,
colocando todos os seus talentos (pintura, música etc.) em benefício de todas
as Irmãs, a quem muito amava.
O amigo de infância Padre Delfim,
após ter feito promessa de trabalhar para a fundação de um Carmelo, pediu à
Madre Ângela e Comunidade assumirem a fundação de um Carmelo em Pouso Alegre,
Minas Gerais. Isto se realizou em 26 de outubro de 1943. Padre Delfim Ribeiro
Guedes preparou a cidade para acolher as Carmelitas e adquiriu um local
apropriado, doação feita ao Carmelo, por pessoas amigas. Nomeado Bispo de
Leopoldina, seguiria, a distância, suas filhas Carmelitas. Priora Fundadora era
a sua amiga de infância, Madre Maria Imaculada, e com ela tinham vindo três
Irmãs Co-fundadoras. Início difícil, sobretudo após o retorno das Irmãs
ao Carmelo de Campinas, ficando ela com apenas um grupo de 5 noviças, em 1950.
Mas estas – reconhecendo o valor da Priora – em solene cerimônia, deram-lhe o
título de “Mãezinha”, pois realmente desempenhava tal missão pelo zelo,
atenção, amor e dedicação a todos. Assim ficou conhecida e chamada por todos da
cidade de Pouso Alegre, como pelos amigos e familiares das Irmãs.
Ela deu início às obras do Carmelo
definitivo, com indescritível capacidade administrativa, auxiliada pelas
filhas, cujo número ia crescendo. Amigos e benfeitores estavam sempre à sua
disposição, em particular o Sr. Fernando Côrtes, que assumiu toda a direção das
obras, por mais de vinte e cinco anos, sem nenhuma remuneração.
Impressionante a capacidade de
doação da MÃEZINHA, apesar de sua debilidade física, ocasionada pelo enorme
peso de sua perna, sempre vitimada pela erisipela e que lhe acarretava febre
altíssima. Por quarenta e três anos, dirigiu o Carmelo da Sagrada Família,
cuidando – não apenas da parte material – mas sobretudo da espiritual.
Deus, porém, desejava pedir a ela
algo mais: a fundação do Carmelo de São José, em Campos, RJ, a pedido do bispo
local e do provincial carmelita. A diocese sofria com a divisão causada pelos
tradicionalistas, e Mãezinha reconheceu ser vontade de Deus não recusar esse
pedido. Tomou todas as providências necessárias, espirituais e materiais. Foi
um tempo de intensa oração, e, em 24 de agosto de 1986, ela se despede de nove
de suas filhas que partiriam para a nova fundação, o que lhe ocasionou um abalo
na saúde: um câncer, já com manifestação externa; e que procurou ocultar das
irmãs. Havia oferecido a sua vida para o êxito da nova fundação, em benefício
da santa Igreja, dilacerada em sua unidade, naquela Diocese. Sua saúde foi
decaindo. Assistida por vários médicos amigos do mosteiro, em 20 de janeiro de
1988, pelas 11h20min, ela partiu para o grande encontro com Deus.
Os escritos que a Madre Maria
Imaculada nos legou consistem, na maior parte, de cartas que são verdadeiras
páginas espirituais, transbordando sentimentos de caridade materna, zelo
ardente e esclarecido, fé vivida e comunicada.
Sua espiritualidade se destacava
pelo exercício da presença de Deus e por ver a Deus na pessoa do
próximo. Com Maria, aprendeu a trazer em si a presença do Deus vivo, com o
qual viveria na intimidade contemplativa.
Oração
Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo,
adoro-Vos profundamente, e com todo afeto de meu
coração
dou-Vos infinitas graças por terdes escolhido a Serva
de Deus
Maria Imaculada da SS. Trindade, Mãezinha, para ser
toda Vossa,
no Carmelo, e por sua intercessão peço-vos conceder-me
a graça...
Rezar 3 Glória ao Pai e 3 Ave Marias,
agradecendo a Deus e a Nossa Senhora
as graças concedidas à Mãezinha
Dies natalis: 20 de janeiro
Restos mortais: No
cemitério das Irmãs, no Carmelo da Sagrada Família, em Pouso Alegre, MG.
Causa de canonização: sediada na
Arquidiocese de Pouso Alegre, MG; Ator: Carmelo da Sagrada Família, de Pouso
Alegre.
Pedido de introdução da causa pelo postulador em
12/jan/2006; Nihil obstat em
11/jul/06; sessão de abertura do processo informativo diocesano em 30/set/2006,
e finalizado em 25/10/2014. Decreto de Validade Jurídica foi dado a 17/03/2016,
e a Positio foi finalizada e aprovada para impressão em
janeiro de 2022. Vice-postulador: Frei Patrício Sciadini, ocd. Decreto
da Heroicidade das Virtudes dado pelo Papa Leão XIV em 22.1.2026
Bibliografia
sobre Me. Imaculada:
Carmelo da Sagrada Família. Uma vida a serviço de Deus. Pouso Alegre: [s.n.], [entre 1996 e
2005], 94 p.
Para comunicar graças alcançadas e maiores informações:
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Rua Com. José Garcia, 1307
37550-000
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(35) 3421-1103 maezinha.carmelo@gmail.com
Colabore com a Causa de Canonização de Mãezinha: Carmelo da
Sagrada Família - SICOOB 4143 Conta corrente: 40021548-9 / Pix: maezinha.carmelo@gmail.com
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